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Por que a sua Instituição de Ensino deveria pensar em carreira e não em profissão

 

Um dos desafios das Instituições de Ensino Superior no Brasil é oferecer ferramentas que acompanham tendências de qualificação alinhadas ao mercado de trabalho. Se por um lado atrair novos alunos é um dos grandes objetivos, por outro, aumentar a porcentagem de egressos com acesso às oportunidades e bem sucedidos é uma excelente forma de mensurar a qualidade da IES.

Embora algumas referências brasileiras no setor  já estejam olhando por este viés, ainda há um caminho longo a percorrer. Assim sendo, estamos a muitos passos de distância se comparamos os nossos resultados com o de instituições de países como os Estados Unidos, por exemplo. Contudo, não é uma questão de qualidade técnica. 

O ponto de virada aqui é o foco escolhido pela instituição de ensino: chegou a hora de pensar em carreira e não mais em profissão.

Quebrando o conceito de profissão: entendendo o conceito de carreira

Uma pesquisa realizada pela CMOV em 2018 com mais de 8 mil alunos de todo o Brasil, mostrou que oito a cada 10 estudantes de instituições públicas e privadas não sabem exatamente o que fazer profissionalmente. Pode-se aludir que parte desse resultado se dá pelo peso de escolher tão jovem o que deseja fazer profissionalmente. Outra, poderíamos dizer que reflete a falta de conhecimento sobre as formas de como definir e planejar uma carreira.

O conceito por trás da escolha da profissão reflete nada mais do que na definição do curso que será feito na faculdade. Por exemplo, se o aluno decide fazer Engenharia, a profissão será Engenheiro (a), se fizer Direito, será advogado (a) e assim por diante

Ainda na faculdade, muitas vezes o estudante não tem uma visão ampla sobre as possibilidades que a escolha da carreira pode lhe proporcionar. E essa dimensão só poderá ser alcançada quando o aluno começar a entender que ele deve focar na construção da sua carreira. A partir daí, a profissão passa a ser consequência da decisão de carreira, ou seja, a profissão passa a ser somente uma parte da capacitação para a carreira escolhida.

Quando falamos em carreira, focamos numa vasta possibilidade de direcionamento profissional. Logo, abre-se um leque de oportunidades que até então, uma visão mais fechada não conseguiria atingir. De forma prática, o aluno percebe que independente do curso que escolheu poderá trabalhar em uma empresa, ou seguir carreira como servidor público ou se tornar um empreendedor e assim por diante. 

E como as instituições de ensino podem apoiar seus alunos nesse novo viés da construção da carreira?

5 formas de promover diferenciais na formação dos alunos nas suas carreiras

Estamos diante de um cenário onde sempre  formamos nossos alunos com base na profissão que escolheram. Se escolheram engenharia, então serão engenheiros, se escolheram medicina, serão médicos e assim por diante. Porém, precisamos perceber que essa definição pode limitar muito o caminho a seguir.

Colocar as escolhas em “caixinhas” faz com que as limitemos absurdamente. É muito importante que o aluno perceba que independente do curso que escolheu, o mais importante é identificar qual caminho de carreira que deseja seguir.

Por exemplo, se decidiu fazer Direito, qual a trajetória de carreira que seria mais feliz e teria maior sucesso? Empreendendo, trabalhando numa empresa, sendo um professor, fazendo um concurso público ou tendo um escritório? E isto independe se a pessoa cursar medicina, engenharia, comunicação, entre outros.

O importante é entender que a faculdade é uma parte da trajetória de carreira. Por isso, é importante que a Instituição apoie o aluno a  gastar mais tempo entendendo quais são suas motivações, pesquisando e vivenciado suas possibilidades de carreira do que só focar em capacitá-lo tecnicamente para exercer a sua profissão.

Contudo, existem formas de apoiar o estudante nessa nova perspectiva.  Exemplos são:     

1. Investir em Centros de Carreiras

A maioria das universidades brasileiras oferece apoio aos alunos na busca por estágios. No entanto, este serviço é oferecido por meio de uma central muitas vezes limitada ao simples repasse de informações sobre vagas. O aluno começa a sua tentativa de inserção no mercado praticamente sem qualquer planejamento real de carreira, e o pior, normalmente nos últimos anos da faculdade.

Nos Estados Unidos, praticamente 100% das grandes universidades trabalham com os chamados Centros de Carreiras. Eles garantem um espaço especializado não apenas em buscar oportunidades, mas para apoiá-lo na construção da sua meta de carreira, desde o momento que o estudante ingressa na faculdade. E como isto é feito? Desenvolvendo os alunos nas competências mais requeridas pelo mercado, as competências comportamentais ou soft skills. 

Esses centros oferecem um apoio constante. Tudo é feito a partir de um calendário rico em workshops, palestras, orientações individuais de carreira, eventos de network, entre muitas outras atividades. E essas ações se estendem também aos egressos.

2. Desafiar o aluno a sair da sala de aula

Na formação universitária, teoria e prática devem andar juntas para que o aluno consiga ver um sentido no estudo, além de experimentar diversas áreas. Para isso, é importante desafiar os alunos na busca por conhecimento além da sala de aula.

Pode ser por meio de projetos de extensão oferecidos pela própria instituição de ensino superior, ou ainda, por trabalhos voluntários e oportunidades de estágio. Empresas Juniores também são ótimos espaços de desenvolvimento, principalmente de competências comportamentais. Todas essas experiências ajudam na construção de um plano de carreira.

A Universidade de Columbia, que costuma liderar rankings de empregabilidade, criou um sistema dedicado à educação experimental por meio do próprio Centro de Carreira. Através de parcerias com empresas, são criadas vagas de estágio temporárias disponíveis todos os semestres.

3. Capacitar professores

O professor é parte no processo de construção de carreira, mas seu papel vai muito além do ensino de disciplinas. É a partir do corpo docente que, muitas vezes, surge o incentivo para buscar a primeira experiência em um projeto de extensão ou em uma pesquisa. Além disso, o professor é extremamente importante na construção de atividades extracurriculares que complementam o ensino.

Diante de um mercado dinâmico, vale lembrar que o investimento na capacitação desses profissionais é fundamental. É um ponto-chave para manter a qualidade do ensino e alcançar os resultados pretendidos.

4. Investir na qualidade de eventos de carreira

Os eventos voltados para o mercado de trabalho costumam despertar interesse dos alunos. No entanto, é preciso estar atento à qualidade das atividades propostas para criar uma boa reputação e manter os alunos motivados. Uma boa forma de fazer isso, é criar uma curadoria que planeje propostas com assuntos práticos e relevantes.

Entre essas ações podem estar:

  • Feiras de carreiras
  • Orientação para construção de currículos
  • Visitas a empresas
  • Workshop de orientação de carreira
  • Palestras com egressos e profissionais de destaque no mercado
  • Dicas de entrevistas

Ainda, é importante pensar em formas de diversificar as ferramentas utilizadas. Além dos eventos presenciais, atividades online podem garantir que essas ações cheguem a mais pessoas.

5. Estreitar laços com egressos

Os ex-alunos são conexões sólidas entre a instituição de Ensino Superior e o mercado de trabalho. Ainda citando o exemplo dos Estados Unidos, é muito comum que a IES mantenha esta comunidade engajada por meio de ações que estreitam laços com egressos.

Existem programas que promovem atividades para ajudar ex-alunos no processo de colocação no mercado de trabalho e nas buscas de carreira. Em contrapartida, eles costumam manter um laço forte com a universidade. Assim, participam ativamente de mentorias e de trocas de experiências com os alunos.

Quais os impactos dessa mudança na IES?

Este cenário mostra que as Instituições de Ensino Superior passam a ter um papel fundamental no apoio aos seus estudantes na construção das suas trajetórias de carreiras e empregabilidade. Uma visão que ultrapassa a sala de aula e os muros da instituição.

O mercado está carente de profissionais que saibam o que querem e se preparam para tal. A formação vai além das competências técnicas, pois o desenvolvimento das competências comportamentais se faz além do necessário.

É neste ponto que o ensino com foco na carreira passa a ser um diferencial para o currículo do aluno. Ir além da sala de aula, experimentar,  vivenciar e pensar nas possibilidades de carreira é uma necessidade desde o primeiro dia de aula.

Este novo modelo envolve um processo no qual ganha o mercado, o aluno e a própria Instituição de Ensino Superior. 

Contudo, conseguir apoiar os alunos nessa direção e em escala passa a ser desafiador para a IES. Por isso, ferramentas de carreira que complementam o trabalho presencial, podem ser um grande diferencial. Algumas IES já estão buscando esse caminho, apoiando e empoderando seus alunos a se tornarem protagonistas de sua carreiras. 

Esses são exemplos que têm dado certo por aí.  E você? Como tem enfrentado esse desafio?

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